Menina Interestadual

2 de dez. de 2008

Todos os dias, uma garota sai de sua cidade, São Miguel do Tocantins, no estado do Tocantins, para ir à sua faculdade, na cidade vizinha de Imperatriz, interior do Maranhão. Para começar, o seu primeiro desafio é pegar uma condução. Nada mais que algumas horas para relaxar e botar a matéria em dia. Ao pegar, finalmente, tal condução, mais algumas horas de viagem até chegar, e mais um tempinho para revisar a matéria da faculdade. Seria sim um tempo valioso, se não fosse o fato de a condução levar mais um monte de meninos numa faixa etária de mais ou menos 10 à 12 anos. Só pela idade já se pode imaginar a bagunça dentro da condução. Esse drama é enfrentado não apenas pela garota de São Miguel, mas por muitas pessoas que, não tendo alternativas, se vêem obrigados a se locomoverem por distâncias gigantescas para trabalhar ou estudar em locais desconhecidos, devido à falta de oportunidades em suas cidades natais.

Bem, chegando na divisa dos estados, o rio Tocantins, mais um problema: a condução não pode passar. E agora? Papo vai, papo vem, o motorista conseguiu autorização para atravessar o rio e levar as pessoas aos seus destinos. Chegando lá, entre 11h e 12h, a garota tem que acompanhar o motorista à todos os lugares, pois ele deve deixar todas as crianças em suas respectivas escolas. Detalhe: ele tem que esperar até o portão da escola abrir. Nessa brincadeira, a garota teve que esperar até 1h30 da tarde para poder finalmente chegar ao seu destino: a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Todos os dias era essa luta para chegar ao seu destino. Também não é pra menos, o pouco acesso ao ensino superior nas cidades do interior vem levando cada vez mais gente a procurar outros caminhos para conseguir uma formação acadêmica. Quanto à questão das enormes jornadas para chegar à universidade, ora, é apenas um pequeno esforço se comparado com os demais, tais como o pouco acesso ao ensino superior.

Bem, e quanto à garota citada no texto? Seu nome é Chrystiane Martins, estudante do terceiro período de Jornalismo da UFMA de Imperatriz. Ela encara essa jornada praticamente todos os dias. Dessa forma, uma pergunta sempre vem à cabeça: Chrystiane é uma tocantinense por ter nascido lá, ou uma maranhense, por passar a maior parte do tempo em Imperatriz? De uma forma ou de outra, ela seria uma super – heroína: a "Menina Interestadual".



Repórteres: Ellyne Almeida, Renata Fonseca, Adenilson Silva
Pauta: Chrystiane Martins
Editor: Jadiel B. Reis

2 comentários:

Anônimo disse...

nossa!!
muito legal!!!
adorei mesmo!

Unknown disse...

nossa, que legal!
ficou muito legal o
texto...