O Progresso, jornal impresso de Imperatriz, constituiu-se num divisor de águas na história da segunda cidade mais importante do Estado. Foi o primeiro do gênero a simbolizar, com o perdão do trocadilho, o progresso, ou melhor, a evolução cultural de um povo que outrora difundia sua informação através da tradição oral.
Vale à pena ressaltar que pensar, sonhar, é o que mais nos diferencia dos outros animais. A abelha, por exemplo, é uma exímia arquiteta, só que não agrega um sentido ao seu trabalho. Diferentemente, o homem depois que produz, se afasta do seu empreendimento e contempla a beleza do seu edifício. Isso serve para ilustrar a importância de um homem que é o alicerce, no melhor sentido da palavra, da história desse jornal. Seu José, como é carinhosamente chamado, é fundador e consumador de O Progresso. Na sua gênese, as notícias eram compostas à mão, só depois vieram as primeiras linotipos, como preconizava o parceiro, companheiro e primeiro editor do jornal, Jurivê de Macedo, que se tornou outra figura importante para a materialização desse ideal.
Certa vez o vice-presidente da república, Almirante Augusto Ravimar, passou por Imperatriz para vistoriar a construção da rodovia Belém-Brasília. Avesso à imprensa, que ele achava que distorcia os fatos, o almirante foi convencido pelos dois amigos a conceder uma entrevista ao jornal. Quando os repórteres foram redigir a reportagem sobre o ilustre visitante, após uma noite inteira para produzir o jornal, que tinha que estar à disposição do leitor no dia seguinte, perceberam um erro. Em vez de escrever a palavra físico, escreveram tísico e lá se foram refazer todo o jornal, uma noite inteira perdida, lembrando que cada palavra era escrita tipo a tipo.
Hoje, com as facilidades oferecidas pela tecnologia digital e a internet, esse relato pode até parecer engraçado, mas, na verdade, revela a perseverança de homens que não desistiram dos seus sonhos, pois traziam dentro de si, desde a remota infância, as marcas da tipografia e o ideal de deixar um legado para a posteridade.
Pauta e edição: Narcísio e Luís Carlos Lima
O homem por trás do Progresso
Por Jornalismo III às 09:46 Marcadores: Matéria, Opinativo 1 de dez. de 2008
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3 comentários:
Parabéns pelo texto.
Ficou excelente!
Very good !!!!!!!!!
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